Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Intensa Atividade Solar

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Uma intensa atividade solar foi observada nos últimos dias, destacando-se a presença de um buraco coronal de grandes dimensões, superior a 20% da superfície do Sol, capaz de acelerar significativamente o vento solar. No mesmo intervalo, foram registradas duas explosões solares de classe M e uma de classe X, provocando um aumento abrupto da radiação eletromagnética emitida em comprimentos de onda mais energéticos.

Em 19 de janeiro, o software CACTus identificou duas ejeções de massa coronal (CMEs) do tipo Halo, caracterizadas por ampla extensão angular e alto potencial de impacto sobre o ambiente espacial da Terra. Essas ejeções estiveram associadas a uma erupção solar de classe X1.9, ocorrida em 18 de janeiro, que lançou ao espaço uma CME extremamente rápida, com velocidades superiores a 1400 km/s. Após cerca de dois dias de propagação pelo meio interplanetário, um tempo de trânsito considerado curto, a ejeção atingiu diretamente a magnetosfera terrestre.

Medições do satélite DSCOVR, posicionado no ponto de Lagrange L1, indicaram perturbações intensas no vento solar e no campo magnético interplanetário. A componente Bz apresentou variações abruptas e valores elevados, da ordem de dezenas de nanoteslas, típicos de eventos altamente geoefetivos. Como resultado, a magnetosfera sofreu forte compressão, com a magnetopausa sendo deslocada para distâncias inferiores a oito raios terrestres, criando condições favoráveis para uma transferência eficiente de energia do vento solar para o sistema magnetosférico.

Satélites da série GOES registraram respostas marcantes nos Cinturões de Radiação de Van Allen, incluindo um rápido dropout de elétrons relativísticos no cinturão externo, além de um evento extremo de partículas energéticas solares, com fluxos elevados de prótons de alta energia. O fluxo de elétrons com energias iguais ou superiores a 2 MeV apresentou uma redução superior a três ordens de magnitude em aproximadamente três horas, associada à chegada da ejeção de massa coronal interplanetária (ICME). Essa diminuição no número de elétrons aprisionados resultou em intensa precipitação de partículas sobre as regiões aurorais e sobre a Anomalia Magnética da América do Sul, afetando a composição atmosférica dessas áreas.

A tempestade geomagnética atingiu seu pico na noite de 19 de janeiro, sendo classificada como severa (G4). O índice Kp variou entre 8+ e 9-, enquanto magnetômetros do Programa EMBRACE/INPE registraram perturbações expressivas no campo geomagnético. O índice Dst atingiu inicialmente -119 nT e continuou a se intensificar ao longo do dia 20, alcançando -218 nT até o momento. Na região auroral, o índice AE superou 1000 nT, com picos próximos a 4000 nT, indicando intensa atividade das correntes aurorais.

Figura 1 - Medida do campo geomagnético, componente horizontal em diferentes estações localizadas no território brasileiro.
Figura 1 – Medida do campo geomagnético, componente horizontal em diferentes estações localizadas no território brasileiro.
Figura 2 – Variação do campo geomagnético dB/dt como indicador da geração de campo geoelétrico;

Na ionosfera, observou-se uma expansão da precipitação de partículas na região da Anomalia Magnética da América do Sul, permitindo a ocorrência de comportamentos aurorais em latitudes equatoriais. No centro da anomalia, dados obtidos em Cachoeira Paulista indicaram um aumento significativo da ionização, evidenciado pelo comportamento dos ecos provenientes das regiões ionosféricas superiores. Além disso, as bolhas de plasma, normalmente frequentes nesta época do ano, foram suprimidas durante a noite de 19 para 20 de janeiro.

A combinação de velocidades elevadas, campos magnéticos intensos e curto tempo de chegada confere a esse evento características semelhantes, em menor escala, a tempestades solares históricas raras, como o Evento de Carrington de 1859. Embora os impactos em solo tenham sido atenuados pela infraestrutura tecnológica e pelos sistemas modernos de monitoramento, o episódio reforça a vulnerabilidade da sociedade contemporânea a fenômenos extremos originados no Sol. Até o momento desta publicação, o encerramento da fase principal da tempestade geomagnética ainda não foi registrado, e a expectativa é de que as perturbações persistam nas próximas 24 horas.

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